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Chang kben: descubra mais um pouco de história nessa calça tradicional tailandesa

Aqui no blog da Calça Thai, sempre falamos sobre tradições tailandesas, principalmente quando o assunto é roupa. Contamos sobre a roupa tradicional tailandesa, exploramos as curiosidades da influência da cultura indiana nas vestimentas tailandesas, e mesmo explicamos as diferenças entre calças indianas e calças originadas na Tailândia. Agora, vamos contar sobre outro modelo de calça muito utilizado entre as tailandesas até o começo do século XX: a Chang kben. 

Chang kben Tradicional

Esse modelo de calça foi muito difundido na Tailândia e também nos seus vizinhos Laos e Camboja, principalmente entre mulheres de classe média e alta. Era uma vestimenta usada no cotidiano, ou seja, era uma roupa de todo dia. No sudeste asiático, ela tem sua origem no Reino do Camboja, tempos anciãos. Era utilizada pelo povo Khmer, que em sua maioria era hinduísta, e especialmente por homens. Porém, ela foi originada mesmo na Índia, e por conta da religião hindu, trazida até o Camboja e difundida por outros países do sudeste da Ásia - Tailândia e Laos, por volta do século XIII.

Chang kben no Camboja

A Chang kben está mais para calça do que saia. É um pedaço de tecido retangular que mede 3 metros de comprimento e 1 metro de altura. Para se usar, é necessário enrolar o tecido em volta da cintura, esticando-o para longo do corpo, depois torcendo as pontas em conjunto e então puxando o tecido por entre as pernas, dobrando-o na parte de trás da cintura. Parece complexo - e realmente é. É sempre difícil para nós, ocidentais, conseguir vestir essas roupas com propriedade e elegância, já que estamos acostumados com calças e saias mais simples, que não exigem tantos procedimentos.

Calça Tradicional Tailandesa

Hoje em dia, a Chang kben ainda é usada em ocasiões de festas tradicionais ou situações formais, onde as pessoas remetem suas vestimentas às utilizadas antigamente, e também por membros da monarquia ou da família real. Mas diferente do que às vezes imaginamos, ao andar pelas ruas aqui da Tailândia, não encontramos pessoas vestidas assim: hoje em dia, o vestuário tailandês é tão globalizado quanto o do Brasil!


Calça Indiana ou Calça Tailandesa? A gente explica!

Muitos anos atrás, o vestuário indiano influenciou o surgimento do modelo de calça envelope, na Tailândia. Esse modelo, que depois foi evoluído até o desenvolvimento das "fisherman pants", ou calça pescador, era formado por um pedaço de tecido retangular que é embrulhado ao redor do corpo e amarrado na cintura com o excesso de tecido. Os homens ajustavam a calça para uma altura mais curta, que facilitava o conforto para trabalhar, enquanto que as mulheres só usavam modelos longos, a fim de cobrir todo o comprimento das pernas - mostrar essa parte do corpo era um sinal de desrespeito. Além disso, muitas vezes os homens trabalhavam sem camisa, enquanto que as mulheres estavam majoritariamente cobertas.

Tecidos e roupas simbolizavam padrões sociais que diferiam ao longo dos reinados de cada monarca tailandês. A pessoas mais ricas usavam tecidos elaborados, altamente decorados, incluindo até mesmo fios de ouro ou de prata. Muitos dos tecidos utilizados em ocasiões especiais, como seda e cetim, eram frequentemente importados da Índia e da China. Enquanto isso, nas classes mais baixas predominava o algodão.

Roupa tailandesa antiga

Apesar desse tipo de vestuário acabar gastando uma maior quantidade de tecido, ele era amplamente utilizado, tanto pelo conforto, quanto pela versatilidade. Esse mesmo tecido com que se fazia as calças também tinha outros usos: proteger-se do frio, repelir mosquitos e outros animais, além de ser utilizado como toalha de banho. 

Enquanto isso, as calças indianas, também conhecidas como harém, também surgiram desse pedaço de pano retangular, que era difundido por diversos países da Ásia. Lá na Índia ele era conhecido como "dhoti", "pancha", "mardani"ou "veshti", e era utilizado majoritariamente por homens.

Calça Dhoti Indiana

Hoje, as calças indianas são amplamente utilizadas no mundo, por pessoas de ambos os sexos. Geralmente são largas, têm o gancho baixo e um elástico inferior na altura do tornozelo. Assemelham-se muito com as calças tailandesas, e muitas vezes fica até mesmo difícil diferenciar as duas, já que as culturas, os cortes e os tecidos já se misturaram bastante.

 


Sabe o que está estampado nas moedas tailandesas? Descubra aqui!

Talvez você já saiba que a moeda utilizada na Tailândia é o Thai Baht. Comparada ao Brasil, com 1 real você compra aproximadamente 10 Baht, sendo que o câmbio varia geralmente ficando entre 8 e 12 Baht. Mas você já procurou saber o que vem estampado nas faces das moedas?

Em um país em que a doutrina religiosa é tão forte, dominada pelo budismo, nada mais justo que homenagear os locais que representam essa cultura, que tangibilizam o espírito de paz aqui da Tailândia e que une os tailandeses: são os Templos.

Cada uma das moedas tailandesas têm um Templo em uma das faces, e todos são temples localizados na cidade de Bangkok.

Na moeda de 1 Baht, que vale quase 1 centavo de Real, vemos o Templo do Buda de Esmeralda. Ele é o Templo mais sagrado da Tailândia, ainda hoje é usado como capela do Rei e é o único onde não residem monges. Fica dentro da Capela Real, ou Wat Phra Kaew, ao lado do Grand Palace, no centro antigo de Bangkok.

Templo do Buda de Esmeralda

Já na de 2 Baht, o Templo estampado é o Golden Mount. Ele fica no Wat Saket e é da Era de Ayutthaya. Subir os degraus do Golden Mount coloca tudo em perspectiva e oferece uma vista linda da Ilha de Rattanakosin. Em novembro, um festival no Wat Saket leva uma procissão com velas até o topo do Golden Mount.  

Golden Mount

O Templo de Mármore fica com os 5 Baht. Ele fica localizado em uma região mais afastada de Bangkok e por isso recebe menos visitas que os outros; porém, por conta da sua estrutura de mármore e vitrais, além de 50 estátuas de Buda no topo, alguns dizem ser um dos templos mais bonitos do país.

Templo de Mármore

 

Por fim, a última e mais alta moeda, a de 10 Baht, o Templo do Amanhecer, ou Templo da Alvorada, conhecido em inglês como "Temple of Dawn". Ele se localiza na beira do principal Rio de Bangkok, o Chao Phraya: ao realizar um passeio de barco pelo rio, a vista do templo todo iluminado à noite é maravilhosa. 

Templo do Amanhecer

Quando vier à Tailândia, não deixe de visitar cada um deles!

*Crédito das imagens: @RatiButr


Zero Baht Shop: conheça uma iniciativa social inspiradora!

Como sempre mostramos para vocês, aqui na Calça Thai prezamos pelo comércio justo, pela justiça nas nossas relações e pela consciência socioambiental. Já contamos sobre lojas online que admiramos, já fizemos parceria com um projeto incrível que fomenta o plantio de árvores no mundo, já até recebemos o selo Site Sustentável, que garante que compensemos toda emissão de gás carbônico do nosso site por meio do plantio de árvores na Mata Atlântica. Diante de tudo isso, sempre ficamos antenados no que tem rolado no mundo em termos de inovação social e responsabilidade ambiental. Durante nossas buscas, encontramos e visitamos um projeto muito bacana localizando em uma região periférica de Bangkok - é a Zero Baht Shop.

Zero Baht Shop

A capital e maior cidade da Tailândia possui mais de 6 milhões de habitantes, quase 10% do total de pessoas que vivem no país asiático. Toda essa gente consumindo produtos e alimentos todos os dias promovem uma quantidade enorme de lixo. Hoje em dia, o lixo é um dos maiores problems que o país enfrenta: muito consumo e pouco descarte realizado corretamente, principalmente do plástico, um dos materiais mais ofensivos ao meio ambiente, já que sua decomposição é extremamente demorada. 

Além disso, com o rápido crescimento econômico do país, o custo de vida tailandês está aumentando a cada ano. Para sobreviver a essa situação, as pessoas usam diferentes estratégias para transformar seu estilo de vida de modo que consigam economizar dinheiro, se adaptar à economia de suficiência, filosofia desenvolvida pelo Rei, e incrementar sua renda. Entretanto, para as classes mais baixas, é difícil lidar com toda a mudança socioeconômica pela qual o país passa. Os que mais sofrem são aqueles nas áreas urbanas mais pobres, como favelas e periferias. Geralmente essas pessoas conseguem suas rendas por atividades rentáveis diárias, ou seja, vender comida nas ruas ou coletando lixo.

Zero Baht Shop

Diante nesse cenário, uma comunidade de Bangkok, localizada no bairro de On-Nut, nos chamou a atenção pelas suas práticas que fazem a diferença na sua situação econômica mais inferior. Essa comunidade se constitui por 20 grupos que se mudaram de diferentes pontes no ano de 2001 por conta de políticas governamentais determinadas por autoridades tailandesas. Tais autoridades prepararam áreas com facilidades básicas, como eletricidade, suprimento de água, ruas pavimentadas e esgoto tratado. Já a parte da construção das casas era papel dos próprios membros da comunidade, que trouxeram materiais e mão de obra para construir suas moradias. 

No início, 155 famílias ocuparam a região. Hoje esse número já supera os 200. Todas essas famílias têm baixa renda mensal e se esforçam diariamente para terem uma melhor qualidade de vida. Tendo em vista essa situação, em 2004, quatro membros representantes da comunidade coletaram fundos e resolveram iniciar um empreendimento que envolveria quase todos os membros e traria uma melhora no seu dia a dia. Foi aí que surgiu a Zero Baht Shop: Baht é a moeda tailandesa, portanto, Zero Baht Shop quer dizer algo semelhante a "loja com zero dinheiro". Mas como assim uma loja que não se usa dinheiro?

A comunidade em On-Nut montou um projeto capaz de dar suporte para bolsas escolares de crianças e adolescentes, assistência médica e despesas para funerais, além de bens de consumo não duráveis básicos, vendidos em um mercadinho. Eles levantam fundos para esses serviços e produtos coletando 1 Baht por dia de cada membro da comunidade - mas isso não é feito por meio do dinheiro, e sim por meio do lixo: o próprio lixo é a moeda de troca.

A lógica é a seguinte: todos os dias, membros da comunidade vão até o estabelecimento da Zero Baht Shop para trazer materiais recicláveis. A loja se responsabiliza por separar esse lixo e fornecer para uma empresa privada de reciclagem. Com o dinheiro da venda do lixo, os responsáveis pela Zero Baht Shop bancam para a comunidade os serviços acima citados, assim como mantém ativo o mercado com produtos básicos. 

Durante as imersões de visitantes externos que vão conhecer o projeto, como nossa equipe realizou, é possível que você converse com as famílias, conheça a loja, receba uma palestra do fundador e mesmo dê uma volta na comunidade para ver como eles recolhem e posteriormente como separam o lixo. Dessa maneira, além de entender a teoria, é possível ter uma experiência prática de como o projeto realmente funciona.

Além de ir ao encontro do problema econômico, a iniciativa também influencia uma questão ambiental e sanitária, amenizando o problema de lixo na região. Outro ponto muito importante é a questão do pertencimento e da confiança em grupo, ou seja, essa iniciativa funciona como um elo de ligação entre membros da comunidade, oferecendo um lugar seguro, saudável e amigável para que essas famílias se desenvolvam e prosperem.

Zero Baht Shop

Hoje eles recebem visitas de pessoas de diversas áreas da Tailândia e mesmo de outras partes do mundo, visando replicar a iniciativa em outras regiões. O resultado visível faz com que os membros acreditem que seus esforços tragam um impacto positivo na sociedade, além de motivá-los a irem sempre além. E claro, servem de inspiração para nós da Calça Thai e para todos que de alguma maneira conhecem esse projeto. 


Gestos e suas simbologias: mais uma curiosidade tailandesa

Ainda que alguns sinais com as mãos e com o corpo sejam universais e compreendidos em qualquer lugar, cada país tem também gestos próprios, intrínsecos na sua cultura, que muitas vezes só os próprios moradores entendem. Esses gestos dizem muito sobre o tipo de sociedade que é constituída em cada país, sobre as noções de respeito, intimidade e hierarquia. Vamos contar um pouquinho mais sobre os gestos que são utilizados pelos tailandeses e isso vai lhe dar uma noção ainda melhor da cultura thai.

Talvez o gesto mais famoso e diferente seja o wai. Já mencionamos esse gestos em posts no Facebook, mas vamos relembrar. Ele é utilizados para cumprimentar, assim como demonstrar gratidão, desculpas e respeito. É necessário juntar as duas mãos ao peito e se curvar. Quanto mais perto do rosto as mãos estiverem, maior é o respeito demonstrado.

Mulher Tailandia Wai

Essa mesma posição das mãos, quando em frente ao colo, é o gesto utilizado durante a meditação profunda, ou samadhi. E o ato de se curvar, sem as mãos, também é utilizado bastante como símbolo de respeito, tanto por estudantes aos seus professores, quanto por qualquer um a alguém que seja mais velho. 

O respeito pelos mais velhos é uma característica forte na Tailândia, um país onde as hierarquias são enormes. Além de se curvar ser um ato realizado com frequência, sentar em uma posição mais alta que uma pessoa com mais idade que você é considerado falta de educação.

Outro símbolo bacana é o de "eu te amo", representado pelo dedão, dedo indicador e o mindinho levantados, com a mão virada para a pessoa com quem você está falando. Esse gesto também é usado na linguagem de sinais, ou Libras. Para dizer que está tudo bem ou que algo deu certo, fazemos como no Brasil, levantando o dedão e fechando os outros dedos, nosso "sinal de jóia".

Gesto - eu te amo

O sinal de V, que aqui utilizamos como paz e amor, lá é usado quando você está torcendo por alguém ou demonstrando apoio. O sinal de OK é feito com um círculo formado pelo dedão e o dedo indicador, e levantando os outros dedos. Esse mesmo gesto é usado por mergulhadores com a mesma finalidade.

Ok sinal - mergulhadores

Quando se trata de gestos incomuns ou indelicados, a diferença em relação ao Brasil é enorme. A Tailândia não é uma sociedade orientada para o toque ou contato. Dessa maneira, tocar outra pessoa, principalmente alguém de quem você não é íntimo, é algo muito grosseiro. É bom destacar o toque na cabeça, que nunca deve ser feito. Abraços e beijos não são saudações comuns, assim como o aperto de mão - a não ser para amigos muito próximos.

Na Tailândia, colocar as mãos nos quadris também é algo muito indelicado pois demonstra impaciência a quem você está se dirigindo. Olhar fixamente é considerado rude, e manter contato visual por muito tempo pode ser intimidador. Apontar para outra pessoa com o dedo também é visto como algo extremamente indelicado.

Também é muito rude utilizar os pés ou pernas para apontar, seja para pessoas, comidas ou imagens do Buda, assim como colocar os pés em mesas ou cadeiras. Sempre se tira o sapato antes de entrar em um ambiente e não se usa os pés para realizar nenhum sinal.

Como podemos ver, muitos gestos utilizados na Tailândia são apenas daquele país, ou típicos da região do sudeste asiático. Antes de ir para qualquer país, é sempre bom descobrir essas particularidades para não dar bola fora ou soar desrespeitoso. E se você não for viajar agora, sempre vale descobrir essas curiosidades culturais!


A cultura tailandesa dos Espíritos: proteção e crença (e um pouquinho de medo)

Já sabemos que a Tailândia detém uma cultura extremamente espiritualista. Aqui no blog da Calça Thai, já falamos sobre o xamanismo e sua busca pelo mundo dos espíritos. Também sobre a enorme quantidade da população que é budista e como o país é impactado por conta da religião. Diante de toda essa inclinação espiritual, um ponto se destaca: os espíritos, ou Phi, na língua thai. Intrínsecos entre as crenças dos tailandeses, os espíritos trazem proteção - mas por ser algo sobrenatural, também causam algum receio.

Budismo - Espíritos

Acredita-se que os espíritos estão por toda parte mas principalmente em algumas árvores, perto de templos e em casas abandonadas. Se você compra um terreno para construir uma casa, por exemplo, assim que sua casa estiver de pé, o próximo passo é construir a casa dos espíritos. Isso ocorre justamente porque a crença diz que os espíritos já estavam lá antes de você chegar, dessa maneira, você precisa proporcionar moradia para os mesmos. Essa casinha se encontra em quase todas as casas e prédios pela Tailândia, até mesmo em estabelecimentos comerciais e universidades, e todos os dias recebem oferendas do povo, como incensos, flores e comidas. Uma curiosidade é que é comum encontrar refrigerantes sabor morango nas casas dos espíritos, já que acredita-se que eles gostam de bebidas doces. 

Casa dos Espíritos - Fanta sabor Morango

 A crença nos espíritos é muito antiga, tendo surgido a partir de lendas do folclore local. Pouco é encontrado escrito e registrado sobre isso: a maior parte dessa cultura é transmitida pela contação de histórias entre as famílias. A mídia moderna também contribui para que essa crença se mantenha viva e seja ainda mais disseminada, já que diversas novelas e filmes tailandeses incluem espíritos em seus enredos e trazem esse ponto à tona, principalmente puxando para o terror - o que pode influenciar no nosso próximo ponto: o medo que alguns tailandeses sentem de espíritos.

Oh My Ghost! Thai Movie

Ainda que os tailandeses prezem pelo bem estar dos espíritos, sempre garantindo que eles estejam bem cuidados, muitos deles também têm medo de encontrar um espírito por aí. Tal característica pode ser influenciada por essa abordagem da mídia moderna, que na maior parte dos casos traz os espíritos como criaturas assustadoras, aterrorizantes, muitas vezes até mesmo deformadas fisicamente e causando susto em pessoas comuns. Conversando com tailandeses, é comum compartilharem histórias de tensão, como casos que eles mudaram a rota de uma viagem por acreditarem ter visto um espírito pelo caminho, ou não querendo entrar em um quarto de uma casa por acreditar que estão ouvindo ou tendo sinais da presença de um espírito, ou mesmo deixando uma cama vaga dentro do quarto, para que o espírito possa dormir.

Para quem não acredita, é difícil entender como tudo isso funciona, porque é algo que acaba se tornando muito distante do racional. Já para aqueles que têm essa crença, é algo tão normal que já está intrínseco no dia a dia: faz parte da cultura, das casas, das ruas e da sabedoria popular. Essa é mais uma parte da riquíssima cultura espiritual tailandesa - e fique ligado que sempre vem mais por aí!


A Ásia em festa: Ano Novo Thai e Holi Festival Indiano

Se tem duas coisa que a América Latina e a Ásia têm em comum são a religiosidade e a variedade de feriados e festividades: há sempre uma razão pra celebrar. Entre todos os que existem na Ásia, dois deles nos chamam a atenção - um típico da Tailândia e outro da Índia. Ambos cheios de vida, cores e muita água! Quer saber mais?

Songkran – O Ano Novo Tailandês

Songkran

Apesar da Tailândia seguir o calendário ocidental, onde o novo ano começa em Janeiro, ela sempre comemora uma outra celebração de renovação de ano, o Ano Novo Thai, ou Songkran. Ele é celebrado no mês de Abril, no dia 13, se prolongando pelos dias 14 e 15. O termo Songkran vem do sânscrito e significa "passagem astrológica", ou seja, nos remete a transformações, renovações e mudanças. A festividade é mantida no calendário solar budista e também no hinduísta. 

Na prática, a festividade se torna um feriado de quase 1 semana entre os tailandeses, e envolve muita água: por meio de guerrinhas de água espalhadas por toda a cidade, com arminhas, baldes e mangueiras, a ideia é limpar as impurezas e problemas do ano anterior, e se renovar para o ano que começa, tendo um início novo e fresco. Apesar de grande parte do comércio fechar durante esse tempo, é uma época muito interessante para se visitar a Tailândia, exalando boas energias e diversão.

Holi Festival - O Festival das Cores Indiano

Festival Holi

Também conhecido como festival do compartilhamento de amor, a Holi sempre cai entre o fim de Fevereiro e o começo de Março. A festividade se inicia com uma fogueira, que semelhante à simbologia da água no caso do Songkran, a ideia é limpar todo o mal interior, nesse caso queimando ao invés de molhando. O próximo dia é o mais conhecido mundialmente: uma "guerrinha de cores", onde os mais diferentes e vivos tons são compartilhados em formato pó e líquido, por meio de uma água tingida e colorada. A ideia é que todo mundo se pinte e se divirta, sem restrições de interação entre classes sociais, idade, gênero: durante a Holi, todo mundo é igual.

O festival, tão amado pelos indianos e hoje disseminado pelo mundo inteiro, carrega consigo várias simbologias e filosofias: a vitória do bem sobre o mal, a chegada da primavera, a gratidão pela boa safra, e também nos remete a um momento de interação, sendo uma oportunidade para conhecer ouras pessoas, se divertir e dar risada, perdoando erros, esquecendo problemas, e se acertando nos relacionamentos com outros próximos de você.

Songkran e Holi

Apesar de serem festividades diferentes, de datas e culturas diferentes, as duas possuem diversas semelhanças.

Em ambos os casos, o povo ocupa as cidades e as festas acontecem na rua, em parques e espaços públicos. Nessas épocas, todo mundo é igual: se molham juntos, se pintam juntos, se divertem juntos. As ruas enchem de gente com sorriso no rosto e arminhas ou tintas na mãos, a fim de celebrar a vida.

As duas também envolvem água, o que em ambos os casos representa a renovação. E não é só um baldinho por pessoa não: a água fica disseminada por toda a cidade e todos os participantes voltam pra casa encharcados. A Holi ainda conta com o complemento das cores, o que não ocorre no Songkran. Nesse caso, além de molhado, todo mundo volta colorido: cores neons, alegres, vibrantes. 

Ainda que as manifestações tenham bastante em comum, o que mais une os dois festivais é seu objetivo maior: a vontade de deixar o mal para trás e fazer com que o bem prevaleça. Festas lindas feitas por pessoas do bem!

 

 


Conheça mais sobre a Tailândia pré-histórica e a Era do Bronze

O desenvolvimento de materiais como o bronze, que é uma liga metálica resultante da composição de cobre e estanho, dizem muito sobre o avanço de uma região, pois têm ligação direta com suas ferramentas e atividades econômicas. Por muito tempo acreditou-se que a Era do Bronze se iniciou em 3.300 A.C no Oriente Médio, tendo começado inicialmente da China. Também acreditou-se que o sudeste asiático era uma região relativamente atrasada na pré-história, tendo avanços resultantes de influências externas, chinesas e indianas. Entretanto, descobertas recentes mostram que a Tailândia pode ter sido o primeiro país a produzir o bronze, o que trás uma nova perspectiva sobre o grau de evolução do sudeste asiático naquela época.

Ban Chiang Mulher

Artefatos feitos de bronze foram encontrados entre 3.600 e 4.000 A.C, ou seja, mil anos antes da Idade do Bronze. Essas peças foram descobertas nos anos 70 pelo historiador Dr. G. Solheim II, professor da Universidade do Havaí, ao redor do vilarejo de Ban Chiang, no nordeste da Tailândia. Uma curiosidade é que Solheim às vezes é chamado de "Mr. Southeast Asia", ou Senhor Sudeste Asiático, por ter colocado essa região da Ásia no mapa histórico e cultural.

Entre as descobertas, encontraram pulseiras, peças utilizadas para caça e também belas cerâmicas pintadas. Durante as escavações também encontraram esqueletos e grãos de arroz, o que leva a crer que essas pessoas provavelmente trabalhavam com agricultura. A maior parte desse bronze encontrado continha as proporções perfeitas de estanho e cobre: um pouco menos de estanho torna o bronze muito mole, um pouco mais o torna muito duro, o que facilita que ele quebre. 

Ban Chiang

Depois dos anos 1.000 A.C, a região de Ban Chiang, que já estava desenvolvendo uma agricultura de sedentarismo, com criação de animais e plantações de arroz, começou a refinar e melhorar suas técnicas agrícolas. A partir desse momento passaram a desenvolver atividades em construção de casas e fabricação de cerâmica. No caso do bronze, além de já ser utilizado em armas e ornamentos pessoais, a partir dessa época ele passou a ter funções mais utilitárias sendo inserido no dia a dia das pessoas. 

A parte mais interessante dessa história toda é que essa descoberta diz muito sobre o avanço do sudeste asiático. Diferente do que pensavam, essa era uma das regiões mais desenvolvidas daquela época. De acordo com a UNESCO, "Esta área da Tailândia vem mostrando, por meio de escavações e pesquisas de campo, ter sido o centro de um desenvolvimento cultural independente e vigoroso, que moldou a evolução social e cultural contemporânea sobre grande parte do sudeste da Ásia e mesmo além, no arquipélago da Indonésia."


Descubra como os tailandeses encontram o caminho para o mundo dos espíritos

 
Xamanismo: “Conjunto de manifestações, rituais e práticas presentes em inúmeras sociedades humanas e centralizadas na figura do xamã, em seu papel de intermediação entre a realidade profana e a dimensão sobrenatural, em seus transes místicos e nos poderes mágicos e curativos que lhe são atribuídos.”
 

Quantas palavras excêntricas em uma definição só: rituais, xamã, profana, sobrenatural, transes, mágicos. Só de ler esse verbete já vem aquela sensação de que estamos entrando em um espiral, ou nos envolvendo com um universo psicodélico. Na realidade, o xamanismo é repleto de tradições e até os dias de hoje é um forte traço da cultura e religiosidade no Norte da Tailândia.

Ainda que o budismo e os monges sejam o grande ícone espiritual da Tailândia, escondidos em vilarejos locais estão líderes carismáticos que carregam tradições espirituais por milhares de anos: os xamãs. Os xamãs têm empregos comuns – são professores, motoristas, comerciantes -, e levam vidas ordinárias em grande parte do seu tempo. Muitos deles já passaram um tempo de sua juventudade em monastérios e são fluentes em Pali e Sânscrito – vindas da Índia -, e Khom – vinda do Camboja. A quase “profissão” sobrenatural que levam em paralelo foi trazida a eles pelo mundo espiritual.

Xaman Tailandes

A filosofia xamã acredita que os escolhidos são presenteados com uma graça sobrenatural, recebendo visitas espirituais e guias, ou gurus, que os fornecem poderes transcendentais. Suas percepções e conhecimentos devem ser utilizados a fim de liderar sessões e rituais de bênçãos, curas e prosperidade, e ajudar pessoas com problemas psicológicos e físicos. Os rituais trazem uma conexão com seres superiores conhecidos na Tailândia como Thevada, que são como anjos. A ideia é que o xamã possibilite momentos de recordação da alma e conexões com guardiões espirituais.

As tribos do Norte da Tailândia contam com mais de 3000 tribos espalhada por diversos vilarejos. Elas são formadas por povos que migraram da China, do Laos e de Myanmar e esse mix de tradições fez emergir uma cultura comum, expressada na comida, no artesanato, nos hábitos e nas práticas de cura – realizadas pelos “healers” (curadores), ou xamãs. Nessas tribos, acredita-se em uma cause espiritual das doenças do corpo. Dessa maneira, a cura deve ser feitas espiritualmente primeiro e depois fisicamente.

Xaman Tailandia

Cada tribo tem também particularidades. A tribo Karen acredita que todos os elementos têm espírito: árvores, animais, montanhas, e busca a harmonia e a paz por meio desses espíritos. Entre os Hmongs, o xamã é chamado para determinar a causa de doenças. Se ele determinar que a alma foi roubada, uma cerimônia envolvendo toda a aldeia é realizada para trazê-la de volta ao corpo. Já entre a tribo Lisu, acima de todas as aldeias há um altar ou santuário para adorar o espírito guardião. Uma curiosidade é que nenhuma casa é construída na frente da outra, a fim de garantir que o caminho espiritual do altar até a porta das casas não sejam obstruídos.

A partir do xamanismo, essas tribos descobriram como maximizar habilidades humanas do corpo, alma e espírito, buscando a cura e a resolução de problemas de diferentes níveis. Enquanto que monges budistas representam a espiritualidade tailandesa e são a face do país em termos de religião, os xamãs, com seus rituais difíceis de serem encontrados abertamente pelo país, têm iluminado o caminho para o mundo dos espíritos – mundo esse que tanto fazem parte da cultura e das tradições das tribos do norte.


O real custo de produção de uma loja de comercio justo

Aqui na Calça Thai falamos muito sobre práticas de comércio justo -  que envolvem a produção responsável, e slow fashion – movimento pela moda consciente. Também falamos muito sobre sermos uma empresa autêntica e uma marca de personalidade forte, que caminha e cresce seguindo à risca os princípios nos quais acreditas e se adaptando constantemente para melhor impactar o mundo e traz conforto e satisfação aos nossos clientes. Considerando todas essas crenças e práticas, um fator que tem extrema importância pra equipe da Calça Thai é a transparência.

Transparência, em termos comerciais, quer dizer adotar uma política de custos justos e abertos. O que exatamente isso significa? Queremos que vocês, clientes, entendam porque nossos produtos custam o quanto eles custam e qual porcentagem do que vocês pagam vão pra cada etapa do processo de produção. Acreditamos que essa é uma maneira de trazer para a prática nossas crenças e princípios, de modo que possamos construir uma empresa real, honesta e autêntica.

Nesse infográfico abaixo, é possível entender exatamente como nossos custos são quebrados e repassados para o preço final das peças:

Calça Thai infográfico comercio justo

Como se pode imaginar, cada modelo apresenta suas particularidades e esses custos sofrem pequenas alterações de acordo com a peça, mas essa é uma média real que traz uma ideia honesta de como o preço final é estabelecido.

A partir da imagem, podemos ver que os maiores custos dizem respeito à produção em si, seguidos da postagem. Em relação à produção, esse valor é mais alto do que a média das empresas no mesmo setor porque garantimos que seguimos práticas trabalhistas justas: que todos nossos funcionários recebam salários dignos e acima da média nacional, que nenhum menor de 18 anos esteja envolvido na produção, que mulheres recebam as mesmas oportunidades que homens, que os salários sejam pagos antecipadamente para garantir que nenhuma costureira ou designer se endividem comprando materiais e que a produção seja realizada localmente, promovendo tradições tailandesas e incrementando a renda de áreas rurais.

Quanto à postagem, apesar de os clientes não precisarem pagar uma taxa a mais pelo frete, esse valor está incluso nos custos aos quais temos com que arcar – essa é a razão pela qual algumas das peças custam mais que R$100, pois o peso acima da média de algumas peças pode aumentar o custo da postagem.  

O custo de marketing representa 8% do preço total. Ele engloba todos nossos custos com redes sociais e mídia, mas promoções também são parte disso: qualquer desconto que oferecemos entram na conta com custos relativos ao marketing. Despesas bancárias e impostos são responsáveis por 10% do preço final. Esse custo é relativamente alto porque temos operações em diferentes regiões do mundo e gerenciamos diferentes câmbios e moedas, realizando transferências frequentes, o que faz com que acabemos pagando altas taxas para bancos. Custos menores, mas também importantes, ficam com embalagem, imposto corporativo e, por fim, a margem de lucro, que inclui custos operacionais do dia a dia, assim, como salários da equipe da Calça Thai.

Por meio da transparência de custos que trazemos aqui, esperamos que todos vocês compreendam de fato o modelo de negócios da Calça Thai e nosso desejo de sermos sempre abertos e honestos, causando impacto positivo no nosso mundo. Acreditamos que fazer negócio não diz respeito apenas a fazer dinheiro: essa, sem dúvida, é uma parte essencial do processo – mas muito mais que isso, fazer negócios é criar oportunidades de trabalho e expressão; é unir tradições e promover o intercâmbio de culturas; e é concretizar ideais por meio de calças artesanais, expressando nossa filosofia em peças cheias de qualidade, estilo e alto astral, feitas para acompanhar sua jornada de vida.